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2.4 Corina Ishikura sem título #27 da sé
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Além-vida

À guisa de conclusão, as artistas apresentam no espaço do Centro Cultural Correios uma meditação sobre o homem posto à intempérie da imaginação. Afirmando, com a intensidade de seus gestos e de seus pensamentos, sobre a importância tátil da experiência; reiterando que a humanidade se faz através do coletivo e que a coletividade, por sua vez, formula-se no contato e na sociabilidade. Primeiro a sociabilidade entre os iguais [as gentes, o povo] e, a seguir, a sociabilidade como contato com o que não é humano, com o que não consegue falar, com aquilo que simplesmente existe. E é neste lugar – no lugar das árvores e das montanhas, dos animais e das porções aquíferas do mundo – que as artistas formulam a paisagem como extensão da imaginação e, portanto, do humano.

( . . .) ou  com os corpúsculos sobre laminas de microscópio ou mesmo papel feitos por Corina Ishikura; entende-se que independentemente da escala, o ambiente está sempre em movimento, metamorfoseando-se em algo novo. Porque, afinal, a natureza não guarda passado nem projeta futuro, ela [i. e. a natureza] não têm humanidade ou misericórdia, existindo no eterno presente. Porém a imaginação humana e nosso esforço coletivo em existir pode expandir este limite entre o mundo natural e o cultural, contaminando a tudo. Integrando o que deveria ser contraditório. Afinal, se tudo que é sólido desmancha no ar, então porque não criar zonas de contato entre aquilo que não é sólido [por exemplo a imaginação humana] e aqueles que respiram? Com sorte, ao se responder esta inquisição conseguir-se-á colocar o coletivo humano como uma parcela da paisagem e não em oposição a ela.

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Paulo Gallina

01.03.2022

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